Tocar sentimentalmente as pessoas é uma das coisas mais difíceis de serem feitas. Se você forçar a barra, pode parecer piegas, mas se você pegar leve, pode ser que aquilo não emocione. Por esse motivo, gosto de valorizar obras como o “Pequeno Príncipe”, por acertarem na medida certa o que deve ser feito.
Subestimado por ser uma obra direcionada ao público infantil, “Pequeno Príncipe” traz uma reflexão diferente a cada página, com uma linguagem e mensagem simples que até uma criança pode entender, embora algumas coisas ali precisem de uma certa maturidade para serem aproveitadas em sua totalidade.
Por ser um livro para criança, ele conta com ilustrações feitas pelo próprio autor, que são simples, mas tem um charme único, parecendo ilustrações feitas por uma criança, mas com proporções e cores certas. Acredito que tenha sido proposital, já que o primeiro personagem apresentado pelo livro é um aviador que desenhava na infância, mas foi desincentivado pelos adultos.
Quando vamos para nossa vida adulta, temos que nos corromper e jogar o “jogo da vida madura”, adquirindo uma série de hábitos que se pensarmos bem, não fazem muito sentido. O autor usando a figura do Pequeno Príncipe, questiona frequentemente atitudes adultas como a preocupação com dinheiro, vícios, a busca pela segurança, os caminhos mal pensados e um monte de outras coisas mais, nos fazendo pensar se a maturidade é realmente um progresso ou um retrocesso, pois para a visão infantil, as coisas são muito mais fáceis e simples, sendo que a complicação está mais na cabeça das pessoas. Acredito que o livro também não faz uma apologia a imaturidade, mas pergunta porque não mantemos certos hábitos.
Solidão e amizade são outros assuntos abordados no livro, mas de forma diferente do que eu estava acostumado, pois no lugar de ficar repetindo a exaustão o “poder da amizade” e forçando situações para que o protagonista aprenda algo, o livro aborda os princípios básicos das relações humanas, como o conceito do que é único e como cativar as pessoas.
“Pequeno Príncipe” é um livro obrigatório para qualquer pessoa. Não se engane por ele estar na seção infantil das livrarias, pois é um livro bem profundo, com várias camadas para diversos tipos de público. Se você alguma vez viu aquele desenho antigo do Pequeno Príncipe, no qual ele pegava carona em caldas de cometas, esqueça aquele negócio, pois não tem nada a ver com o livro.
Se quer saber mais sobre o livro, ouça o nosso podcast sobre o assunto clicando na imagem abaixo: