Pelas minhas nem sempre ortodoxas e cientificamente corretas pesquisas sobre o universo, muitas vezes tenho que lidar com algumas coisas que são, no mínimo, excêntricas. Já estudei um bocado de Astronomia, Alquimia, Magia Thelêmica, conhecimento Xamânico entre outras coisas, e em todas elas as informações são apresentadas de forma bem lógica e compreensível. São, nas suas próprias esferas, ciências organizadas com paradigmas estruturados e acessíveis caso tenha disponibilidade para estudá-las e compreendê-las. Entre esses estudos um dia me deparei com um mistério que diferencia-se dos outros, algo realmente incrível em sua própria categoria e até hoje sem explicação. Decido então compartilhar isso com vocês. Apresento-os o Manuscrito Voynich.
O Manuscrito Voynich é um texto incompleto de 240 páginas escrito em papiro, por volta do século 15 ( entre 1404 e 1438: estimativa através da análise do carbono 14) e que possivelmente tenha surgido no norte da Itália, em virtude da natureza do papiro e dos pigmentos utilizados. Todavia, seu conteúdo ainda hoje é totalmente desconhecido. A razão disso é que ninguém consegue traduzir a língua ou o código utilizado – grandes decifradores e decodificadores americanos e britânicos falharam em fazê-lo durante a segunda grande guerra. Contém também imagens botânicas, esferas planares, organizações astrais e outras figuras que aparentam processos alquímicos. Foi estudado intensamente por leigos, cientistas e diversos outros, principalmente na Universidade de Yale, Universidade do Arizona e Instituto de Pesquisa McGrone de Chicago.
QUAL SUA HISTÓRIA?

Seu passado é relativamente desconhecido até chegar nas mãos de Wilfrid Voynich, um vendedor de livros e revolucionário polaco-lituano, que o comprou na Villa Mondragone (perto de Roma) ao interessar-se pelo seu mistério. Um pouco de sua história pode ser revelada através de relatos e cartas de épocas distintas.
Segundo uma carta datada de 1666 que acompanhava o manuscrito, ele pertencia ao Imperador Rudolf II (Áustria, 1552-1612). O segundo dono confirmado foi Georg Baresch, um obscuro alquimista de Praga que ficou extremamente incomodado em não conseguir compreender seu conteúdo. Ficou sabendo de Athanasius Kircher, um jesuíta famoso por na época publicar um dicionário Coptico (Hieróglifos egípcios), e então mandou duas cópias pedindo sua ajuda. O jesuíta porém queria o original e não cópias, negando-se a ajudar até poder tê-lo em mãos. O alquimista negou-se e, após sua morte, o Voynich acabou sendo delegado a Johannes Marcus Marci, reitor da universidade de Praga. Este era grande amigo de Kircher, o jesuíta, e acabou entregando-lhe o livro com a seguinte carta mencionada anteriormente:
Reverendo e Distinto Senhor, Padre em Cristo: Este livro, legado a mim por um amigo intimo, eu destinei a você, meu tão querido Athanasius, assim que caiu então em posse minha, pois convencido estava de que não poderia ser lido por ninguém além de ti. Seu anterior dono havia então pedido tua opinião via carta, copiando e enviando-lhe uma parcela do livro do qual acreditava ser possível leitura via tua análise copiosa, mas ele na época recusou-se a mandar o livro in natura. À sua tradução dedicou infatigável esforço, como aparentam suas tentativas as quais envio-te inclusas, abandonando as esperanças apenas ao perder a vida. Todavia seu esforço foi em vão, pois tais Esfinges como essas obedecem a nenhum senão seu mestre, Kircher. Aceite então essa prova, ainda que tão adiada como foi, da minha afeição por ti, e rompa através das suas barras, se é que haja alguma, com teu costumeiro sucesso. Dr. Raphael, um tutor no idioma Bohemio para Ferdinando III, então Rei da Bohemia, disse-me que o dito livro certa vez pertenceu ao Imperador Rudolph e que ele presenteara ao indivíduo que o trouxera uma quantia de seissentos ducatos. Acreditava-se que o autor seria Roger Bacon, o Inglês. Nesse ponto suspendo julgamento; é teu o papel de definir para nós qual ponto de vista assumir doravante, a cujo favor e gentileza eu sem reservas assumo e comprometo-me,
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Aos Comandos de Vossa Reverência, Joannes Marcus Marci de Cronland Praga, 19 de Agosto de 1666.
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(Tradução Própria)
Então por duzentos anos o livro não foi mais visto. A maior probabilidade é que tenha ficado junto com os livros que pertenciam a Kircher, na biblioteca do Collegio Romano (agora a Universidade Pontifícia Gregoriana). Houve então em 1970 a captura e anexo dos Estados Papais por Victor Emmanuel II da Itália, e muitas obras foram confiscadas. Foram então movidas à Villa de Montragone sob a tutela da Sociedade de Jesus, porém por volta de 1912 o Collegio Romano estava sem dinheiro e decidiu discretamente vender alguns de seus exemplares. Então o Manuscrito caiu nas mãos de Wilfrid Voynich e assim foi passando de mão em mão até ser doado à Universidade de Yale, catalogado por fim como “MS 408”.
Como seria de se esperar, muita especulação cobre a informação acerca da autoria do Voynich. Alguns dizem ter realmente sido Bacon, outros que seria uma farsa escrita por John Dee, medium da Rainha Elisabeth I a fim de ganhar dinheiro em cima do nome de Bacon. Dizem também que Dee conhecia um Alquimista e ambos invocaram anjos e tiveram longas conversas com eles, anotando em idioma angelical suas sabedorias delegadas.
Outros dizem de vários arquitetos, botanistas e alquimistas de primeira e segunda classe que viveram na região e época. Outros mais audazes concluem até que pode ter sido escrito por Leonardo Da Vinci, sendo conhecido fã de códigos e cifras. A verdade é que não se sabe quem o escreveu.
CONTEÚDO CIFRADO OU IDIOMA ORIGINAL?
Há várias teorias sobre a forma de apresentação sobre seu conteúdo. Pode tanto ter sido escrito em qualquer idioma europeu ou leste-asiático para então ser submetido a uma cifra complexa, como pode ser uma lingua totalmente inventada. Pode inclusive, é claro, ser um idioma angelical, diabólico ou alienígena, mas essas possibilidades são um pouco menos prováveis.
A verdade é que o Voynich foi submetido a diversas análises de linguistas e matemáticos, e nenhum até então chegou a uma conclusão. Muitos apontam à uma possibilidade de fraude: uma mensagem sem significado algum, só inventada aleatóriamente. Já pesquisas mais recentes (22/06/2013) como a de Marcelo Montemurro, físico teórico na Universidade de Manchester, concluem que há counteúdo lógico no texto, todavia, ainda não há sucesso em traduzi-lo.
Estudiosos encontraram ao longo do tempo séries de singularidades no texto que o fazem lembrar idiomas asiáticos perdidos ao longo das gerações, até mais antigos que sua escrita. Seus hieróglifos são escritos com copiosa fluidez, ou seja, quem o redigiu estava acostumado a ela: não há erros ou borrões, nem sinais de hesitação na grafia. Há sinais claros de estruturas vocálicas e consonantais, ainda que são mais raras as coincidências de padrões silábicos entre frases. Todas suas “letras” foram digitalizadas e submetidas à análise em um computador no qual haviam dados para as línguas conhecidas, procurando paralelos matemáticos que enunciariam um padrão de código. As tentativas não obtiveram respostas.
CONCLUSÃO
Eu poderia ficar aqui por mais várias e tediosas linhas falando sobre as características e teorias linguísticas e matemáticas que sobrevoam o manuscrito que acabei descobrindo ao longo dos anos, todavia prefiro deixá-los a mercê da curiosidade. O fato é que, por mais de 4 séculos o Manuscrito Voynich tem vencido as tentativas alheias de decifrá-lo, e que o torna um prato cheio para quem gosta de desafios. Esse é um autêntico mistério que ainda sobrevive à era da informação dos dias atuais e, portanto, disponibilizo sua versão em PDF (download) para os mais curiosos e aventureiros que queiram no mínimo dar uma espiadela no seu conteúdo.