A conferência da Sony desse ano foi a mais esperada entre todas pelos gamers, incluindo quem não tem um Playstation. Não só por causa do esperado Playstation 4, cuja caixa permanecera em segredo esse tempo todo, mas para saber se ela também seguiria o rumo que a Microsoft tomou com o seu infame Xbox One, adotando táticas de DRM como conexão online obrigatória, proibição de jogos usados, a conexão obrigatória do kinect ao console e a mudança de foco dos jogos para o entretenimento em geral (principalmente TV). E ao final da conferência, não só todas as pessoas ficaram aliviadas com o fato de que o PS4 não seguiria o mesmo caminho, como também a Sony recuperou o respeito que havia perdido na geração passada, com o preço elevado do PS3 no lançamento, a debandada dos fãs para o Xbox 360 e o ataque dos hackers a psn, impedindo os donos do PS3 de jogar online por quase um mês.
Os Jogos
Esse ano, a Sony se focou mais em serviços em vez de jogos, mas isso não quer dizer que houve grandes surpresas ao longo do evento.
Inicialmente, a Sony mostrou que o PS3 ainda tem força, mesmo estando no fim de seu ciclo de vida, e mostrou os trailers de Gran Turismo 6, o mais novo jogo da Polygon; Puppeteer, uma espécie de plataforma em forma de teatro de mariontes; The Last of Us, o mais novo candidato a jogo do ano da Naughty dog; e Beyond: Two Souls, o mais novo “filme” da Quantic Dream que conta a atuação de Ellen Page e Willem DaFoe, com um trailer mais completo que mostra partes da vida da personagem da Ellen e sua passagem por um programa militar por causa de seus poderes psíquicos.
É claro que também tiveram algumas aparições já conhecidas, como o trailer do novo Batman: Arkham Origins, que virá com duas roupas exclusivas para os donos de PS3 (uma delas sendo inclusive a roupa do seriado de tv protagonizado por Adam West); Assassin’s Creed IV: Black Flag, com uma demonstração cheia de travamentos; Watch Dogs, com uma demonstração um pouco menos vergonhosa; e Destiny, com um vídeo comentado ao vivo pelo pessoal da Bungie. Também apareceram os jogos da própria Sony, com Knack, a mais nova aventura de Mark Cerny no mundo dos mascotes (para quem não sabe, ele esteve por trás do desenvolvimento de jogos como Crash Bandicoot e Ratchet & Clank); Killzone Shadowfall, com um trailer incrivelmente lindo e bem colorido, ao contrário do mundo amarelado dos outros jogos; Infamous: Second Son, que traz um personagem que gosta de seus poderes e faz de tudo para enfrentar o governo ditatorial do jogo; e Driveclub, o novo jogo da Evolution Studios (da franquia Motorstorm) com foco mais em uma jogabilidade arcade focada em colocar equipes contra equipes que terá uma versão grátis para assinantes do Playstation Plus, tendo menos carros e pistas que a versão completa, mas quem quiser pode pagar e ter a versão completa.
E também tiveram vários momentos que pegaram muita gente de surpresa, a começar pelo painel da Square-Enix, que apresentou de uma vez só Final Fantasy Versus XIII, que deixou de ter esse nome e adotou a numeração oficial de 15° Final Fantasy, mudando do PS3 para o PS4 e rodando agora na Luminous Engine; e Kingdom Hearts III, apresentado apenas com um trailer em CG, gerando críticas dizendo que o jogo foi apresentado cedo demais, já que ele não será trabalhado até depois do pessoal terminar o Final Fantasy. Também marcou presença o novo MMO da Bethesda The Elder Scrolls Online, que terá um beta exclusivo para o PS4 como forma de desculpas pelo conturbado lançamento dos dlcs de Skyrim para o PS3; e novos jogos como Mad Max, um jogo de mundo aberto que trará a história do Max tendo que reconquistar o seu respeito em um mundo aberto e caótico; e The Order – 1886, o third person shooter da Ready at Dawn, a empresa responsável pelos jogos de psp do God of War, que se passa em uma Londres steampunk 40 anos depois da Revolução Industrial, provavelmente com a história de uma ordem secreta que protege a cidade de forças do mal ou algo parecido.
Mas a maior surpresa, em termos de jogos, foi a apresentação simultânea de vários jogos indies, com grandes jogos como Don’t Starve e Transistor sendo jogados no mesmo palco que jogos menos conhecidos como Octodad: Dadliest Catch e Outlast, todos jogados no próprio PS4, ou pelo menos em kits de desenvolvimento que contenham o sistema operacional e o hardware do qual o console terá quando for lançado, além de ser um bom indicativo de como será a versão final do console, também é um reflexo da nova política da Sony de transformar o PS4 na melhor plataforma de jogos, o que inclui um console poderoso e fácil de programar, um sistema aberto para todos os tipos de jogos (do típico AAA até o free-to-play e os indies) e um ótimo relacionamento com os desenvolvedores independentes, lugar de onde saem a maioria das ideias mais inovadoras ultimamente.
E O PS4
É claro que durante a conferência a Sony revelou a caixa do PS4, que se parece com um PS2 entortado, dividindo opiniões entre quem gostou por relembrar o design de seu antecessor e quem não gostou por ser parecido com o Xbox One e seu design de videocassete. Mas esse não foi o maior momento da conferência.
O maior momento foi quando Jack Tretton foi ovacionado pelo público quando subiu ao palco e anunciou que o PS4 vai aceitar jogos usados, não precisará de conexão constante com a internet e que também não precisará de cheques a cada 24 horas, praticamente o inverso das políticas adotadas pela Microsoft (antes dela reverter tudo em detrimento dos baixos números de pré-venda do console nas lojas, atraindo a fúria de quem estava gostando do console até o momento e mudando a opinião de quase ninguém que já estava irritado com o console). A excitação foi tanta que todo mundo deixou escapar o fato de que será necessário ser assinante da PS Plus para ter acesso ao modo online no PS4, o que foi feito para angariar fundos para melhorar a Playstation Network e trazer mais e melhores funcionalidades ao console. Porém, não será necessária a PS Plus para acessar outros serviços no console como o Netflix e o serviço de música Music Unlimited, e para poder jogar jogos free-to-play como Planetside 2, Warframe e Blacklight Retribution, tornando a decisão mais fácil de aceitar.
Ao final da conferência, Andrew House aproveitou e deu o último golpe na Microsoft ao anunciar que o PS4 vai ser lançado por 400 dólares, 100 dólares a menos que o Xbox One (que inclusive possui um hardware menos potente que o console da Sony). E a Sony ainda aproveitou o momento para trollar de vez a MS ao colocar no youtube um guia sobre como é o processo de compartilhar um jogo no PS4 para um amigo.
Finalizando, essa conferência pode ser o marco inicial do processo de retomada de uma Sony que aprendeu a lição dada em meados de 2006 com o lançamento do PS3 na qual não são gráficos bonitos e declarações exageradas sobre o poder da nuvem ou um chip proprietário que faz um console ser vendido, são os jogos que são importantes para o console. E saber como colocá-los em uma plataforma amigável a todos também é importante para o sucesso do console; e nisso, por enquanto, o PS4 está fazendo certo.
E se você acha que essa conferência foi meio fraca em relação jogos, é bom ficar de olho na Gamescom, aonde a Sony anunciou que vai revelar 30 exclusivos, com 20 saindo no primeiro ano de vida do console e 12 deles sendo novas franquias. Até lá segure a sua emoção (ou a sua carteira).